quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ontem



Ontem deitei-me tarde…

Não… hoje deitei-me cedo, seriam umas 2,40 da manhã.
O relógio discorria a contagem das horas em sentindo decrescente. Dormi, ou talvez não, passaram algumas horas em que me ausentei, por onde não sei! pelo desconhecido que nos envolve quando passamos ao estado de letargia e abandono a que chamamos dormir!
- será que o tal de subconsciente é um desconhecido?
E, a que horas não sei, abri os olhos e regressei ao ponto de partida.
O que se passou naquele espaço / tempo mantêm-se uma incógnita.
- terei corrido, gritado, amado ?
Onde estive?
Em que guerras me terei envolvido?
Que mulheres terei amado?
Em que dimensão estive?... há quem fale na quinta dimensão!
Depois, bem depois as horas sucederam-se! Deslizando como se o ponteiro do relógio fosse um foragido em busca de refugio,
- vem à memória o argumento de um policial em que, quando o perseguido parece a salvo do perseguidor, por artes mágicas do argumentista se encontra de novo no inicio da fuga e tudo recomeça do zero,
e lá está o ponteiro, tic... tac... tic... tac... de novo a caminho do zero para que tudo recomece.
Apetece-me!
Sair, pegar a estrada e... ir acelerando... libertar os cavalos, ouvi-los relinchar, senti-los transpirar e o pé, carregando mais e mais, sempre mais, deixá-los tomar o freio nos dentes e voarem bem alto quebrando amarras, libertando-me.
abrir um espaço, que seja bem fundo, um refugio para um foragido da vida.
Ser um relógio, tic… tic… tac... tac... tic... tic… tac… tac.. tic... tic… pendular com a certeza do regresso sempre ao zero.

-
Foto: The Professor

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